Somos teimosos.
Muito teimosos.
Queremos a paz,
mas
não nos dirigimos pelos caminhos
que
trazem a paz.
Queremos a paz,
mas
não concordamos
com
as regras que ela impõe.
Por
que tamanha teimosia?
Por
que a pouca disposição disponível?
De
templo sagrado, profanou-se,
esvaziou-se
dos eternos tesouros.
Vazio,
oco ficou, sem dignidade,
catando
migalhas, no chão,
desprezando
o céu.
Encheu-se
de tédio,
depressão,
sem
sal.
Mil
caminhos, dispersão,
energias
esparramadas,
sem
concentração, sem bússola,
perdido
nas areias do deserto escolhido.
Insensato,
trocou o eterno pelo provisório.
De
rico, carregado de dons,
escolheu
explorar a pobreza
e
a miserável retrocedeu.
Lá
do fundo
não
há mais riquezas a tirar.
Da
exterioridade enfeitada,
o
brilho do olhar desapareceu.
O
sacerdote, do templo encarregado
terceirizou-se
em atividades desviadas dos fins,
assumindo,
funções dos administradores
tirando
deles os diplomas que lhe eram próprios.
Onde
está o sacerdote, o pastor da ovelhas?
Em
lugares diferentes, ausentes da vocação.
No
me venha buscar o dízimo
se
estais distante
e
incoerente da sua profissão.
Não
posso te dar sustento
se
saiu do teu lugar,
se
meu pai deixou de ser.
Não
preciso que me leves para terras santas.
Aqui,
no teu bairro,
deves
ensinar-me a ser filho, a ser irmão.
Onde
é a habitação do meu, do teu e nosso Pai?
A
Jerusalém terrestre foi destruída,
e
será de novo,
toda
vez que sair do caminho.
Escute,
de novo,
lá
dentro do teu templo,
junto
com o Profeta Jeremias,
as
orientações que ele fez,
aos
sacerdotes do hoje,
de
sempre, que se repete.
O
ego tão forte,
a
ganância tão quente,
e
o atrofiamento da consciência
misturam-se
com
a farinha boa
do
mesmo saco.
Quem
é que precisa de conversão, hoje?
Quem?
Eu?
Não
se assuste,
eles
mesmos não se reconhecem mais.
E
nem nós os reconhecemos.
Nós,
ovelhinhas, de adoradores,
fomos
reduzidos para idólatras.
Perdemos
o rumo.
Perdemos
a paz.
Esconderam
nosso Deus
e
perderam-se as ovelhas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 18/11/2016
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