quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Homilia que eu quero ouvir na missa de Sétimo Dia. 9.



1)   O sacerdote celebrante apresenta-se como sacerdote. Não mais que dois minutos: O que é ser sacerdote. Qual a atividade fim desta profissão.  O sacerdote diz que escolheu uma profissão, assim como aquele que está participando desta Missa também escolheu uma.

 

 

2)  Possivelmente muitos dos presentes nesta missa de Corpo Presente ou Missa de 7º Dia não são frequentadores, não são cristãos praticantes. Não é hora de falar sobre Dízimo, ou ficar criticando os ateus ou indiferentes à prática da Religião, mas sim de fazer convites, lançar sementes, cativar, mostrar o lado bom da Igreja.

 

 

3)  Neste sentido, a homilia deve ser mais ou menos assim:

 

 

Queridos filhos e filhas bem amados do Deus Pai. Queria dizer ainda, minhas ovelhinhas, mas não tenho me comportado como o Bom Pastor.  

 

A morte do falecido trouxe você hoje, aqui, neste evento fúnebre e ao mesmo tempo, um momento especial para lembrar que o Cristianismo tem uma Esperança, uma Porta aberta para o céu, tem a promessa da Vida Eterna.  

 

Nesta missa especial, especial porque você está aqui e tem a oportunidade de receber o Cristo Palavra e o Cristo Eucaristia, o Cristo Pão da Vida. O Jesus Cristo te dirige a palavra nesta missa, dizendo-te:
 
Eu sou o caminho, a verdade e a Vida.

 

Quem come o meu Corpo e bebe o meu sangue ainda que tenha morrido, viverá.

 

Quem crer em mim, ainda que tenha morrido, viverá.

 

  Quem me segue não anda nas Trevas, nem ficará no escuro.  

 

Eu sou o Bom Pastor. Dei a minha vida por você.  

 

Eu sou a Luz do Mundo. Aproxime-se de mim.  

 

Quem crer em mim, ainda que tenha morrido, viverá. Eu sou a Vida.  

 

O Cristianismo não é religião. É o modelo de vida ideal, fundamentado e construído em cima dos valores da Fraternidade e da filiação divina.

 

O cristianismo é uma filosofia de vida. É uma maneira de viver a vida da forma mais perfeita possível.

 

Hoje você veio despedir-se de um amigo ou parente seu.

 

Daqui uns tempos você estará aqui, despedindo-se da vida.
 

A vida que você ganhou de presente, algum dia você a devolverá, entregará ao teu Pai Criador, o Deus dos céus e da Terra.

 

O Deus que te criou na sua imagem e semelhança, já te deu alguns dons antecipadamente, como a liberdade que você tem usado para viver perto ou longe Dele, importando-se ou sem se importar com Ele.

 

E Ele, na sua infinita bondade te respeita, não te pressiona e permite que você continue a viver a sua vida como está acostumado.

 

Este mesmo Deus que te chamou à vida e te escalou para jogar no time dos vivos, te assiste e aplaude os gols que você tem feito.

 

E como Ele se orgulha de você quando age como o filho dele, como o Técnico Jesus Cristo ensinou através da sua própria vida e através das suas palavras que estão nos Evangelhos.

 

Este Deus te deu um espírito, uma alma, imortal, capaz de viver no céu.

 

Aconselho-te apenas a familiarizar-te com este teu espírito, antenando-se com ele, percebendo-o, aperfeiçoando-o.

 

E prepare-se como encontrar o caminho, enquanto esta vivo. Depois de morto não conseguirás encontrar o caminho, se durante a vida não caminhou por ele.

 

O caminho é um só: amar o teu Deus, teu criador, teu Pai, de todo o teu coração e de toda a tua alma, com todas as forças do teu espírito. E, com isso terás força, coragem, entusiasmo e determinação para ajudar teu próximo, teus irmãos.

 

É só isso que deves fazer: Amar o teu Pai, que é o teu Deus Criador, e amar os teus irmãos, ajudar teus próximos.

 

                       Prezados sacerdotes,
celebrantes
 das missas de Sétimo Dia.
 
Aqui estão as pistas principais
de como gostaria que fosse a Homilia
para a minha missa de Sétima Dia.
 
Não mais para mim,
mas para meus parentes

e amigos
que estarão presentes.

 
Obrigado
por atender a este meu
último pedido.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 20/07/2016

eneaspb@gmail.com

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Coerências e incoerências dos comunicadores. 8


 

Caia na real. Desça daí, do mundo das palavras.

 

       Comunicamo-nos com os outros através da palavra falada, escrita, gestos, expressões faciais ou corporais.

 

       Hoje, aqui, focamos a palavra como meio de nos fazer comunicar e entender o comunicador e os meios usados para a comunicação em todos as suas ramificações.

 

O nosso mundo de hoje é a herança de toda a história já percorrida, conhecida por nós através da palavra falada ou escrita.  

 

Esta herança, a palavra verbal ou escrita, que hoje temos em mãos, e a gastamos, é de dois tipos: uma visível, transformada a partir da matéria prima bruta, aperfeiçoada pelas descobertas, progresso e evolução, intercâmbio de povos e nações.

 

A outra, virtual e invisível é o capital do conhecimento. Este capital é ampliado graças à palavra oral e escrita.

 

A palavra sempre foi valorizada porque é dinâmica e livre.

 

Solta nos ares dos campos das atividades humanas ou presa nos livros, revistas, CDs, DVDs, a palavra é matéria prima viva, é força que provoca transformações e produzem efeitos inimagináveis, alargando horizontes, ressuscitando mortos, aventurando-se a imaginar, pesquisar e adentrar o infinito.

 

Por outro lado, hoje, a palavra está sendo questionada e avaliada em seus feitos e efeitos.  

 

Estaremos vendo o lado bom da palavra e a outra, não menos boa, o mundo virtual imaginado e criado por nós, os seres humanos.

 

Parece-nos haver, cada vez mais, o distanciamento do mundo real do mundo virtual.  

 

A mente ou a capacidade racional e espiritual, em parceria com o potencial da palavra, formam uma das mais perfeitas parcerias da unidade do ser humano livre.

 

O que cada um fala ou escreve funciona como semente que germina, vive, floresce, cresce e mais cedo ou mais tarde, dá frutos.

 

Criou-se no mundo moderno, um outro mundo: o mundo virtual, onde a palavra está constantemente agindo, impondo-se, fazendo propaganda, alienando, enganando, prometendo, justificando e viajando na maionese.

 

Parece que o mundo virtual desconhece que o mapa do mundo real, este que no qual estamos vivendo, sofreu modificações nos últimos anos.

 

Palavras ou falas curtas, hoje, comunicam mais, agradam mais do que longos discursos, textos extensos e livros grossos.

 

Eis o que muitos comunicadores devem aprender e, a partir daí, colocar em prática tal sugestão dos tempos curtos de hoje.

 

Muitas palavras enfraquecem uma mensagem poderosa.

 

Uma pequena história de cinco minutos será muito mais eficiente do que trinta minutos de palestra ou homilia.

 

Um testemunho de vida é muito mais aceito do que uma montanha de palavras derramadas durante 30 minutos nas cabeças de jovens e adultos.

 

Nos dias de hoje todas as cabeças estão cheias, saturadas de sons, imagens, palavras.

 

Mesmo que as palavras sejam sagradas, não produzem mais os efeitos que alcançavam antes.

 

Palavras antigas perderam seus significados.

 

Palavras novas foram criadas, encurtando o tempo.

 

 Alguns cursos longos foram substituídos por muitos cursos curtos, menos teóricos, mais práticos.

 

Estamos na era da comunicação e na era do tempo escasso.

 

Queremos, desejamos e esperamos comunicações rápidas e eficazes.

 

Ninguém mais têm paciência para ficar ouvindo palavras que não tenham o poder de provocar mudanças rápidas.

 

Palavras hoje devem ser ditas com o objetivo de mostrar saídas, abrir portas, sugerir criatividade, fazer parcerias, onde buscar ajuda, como melhorar o desempenho pessoal e profissional, como solucionar conflitos pessoais, familiares e conjugais. Deve ser algo prático, que produzam efeitos imediatos.   

 

 Mais do que palavras históricas, palavras de conforto é que o povo está precisando hoje.

 

Discursos de políticos são montados em cima dos veículos que circulam pelo asfalto e pelas principais avenidas das cidades grandes.

 

Não batem mais com a realidade vivida hoje pela maioria do povo brasileiro.

 

A leitura que se faz hoje, não é de um mundo onde tudo está nos seus devidos lugares, não.

 

Pelo contrário, antes de falar e escrever, convém circular pelas ruas e bairros da periferia. Convém visitar a casa dos desempregados.

 

Convém andar a pé pelas ruas sem acostamento, sem saneamento básico.

 

Convém andar pelas cidades pequenas.

 

Convém visitar escolas depredadas, orfanatos, pequeno cotolengo, prisões, sala de espera dos hospitais.

 

Caia na real. Desça daí, do mundo das palavras.

 

Se tens tempo para preencher os livrinhos das palavras cruzadas, vives como quem está em período de férias.

 

Os pobres de hoje, as pessoas de hoje não tem mais tempo para palavras cruzadas. Suas vidas estão mais para o jogo de Xadrez, em constante situação de cheque mate.

 

Hoje, as próprias palavras faladas pela maioria dos comunicadores demonstram que estão fora da realidade.

 

A palavra perdeu o peso, perderam gravidade.

 

O escritor Leonardo Boff em algum dos seus livros escreveu: “Não adianta ler receitas culinárias para quem está com fome”.

 

 

É isto que estamos tentando transmitir: mais do que palavras, são ações que devem ser planejadas, para reduzir a quantidade de problemas que existem em todos os lados para os quais dirijamos nosso olhar e para encurtar distancias entre o mundo real e o mundo virtual.

 

       E a reflexão ainda tem mais:

 

Sábios, eremitas e alguns poucos homens, refugiam-se em selas, eremitérios, grutas ou cavernas e passam aí uma boa parte do tempo de suas vidas, longe do mundo das palavras, esvaziando suas mentes de conceitos, ou de qualquer tipo de comunicação, com a única finalidade de aquietar seu mundo interior e deixar-se absorver pelo mundo do silêncio.

 

Grandes homens, contempladores experientes, admiradores, e grandes amores não precisam das palavras.

 

Silenciosos, quietos, apenas fitam seus olhos e dizem palavras indizíveis.

 

A simples presença destes raros personagens transmitem a paz e a compreensão de um tipo de comunicação quântica e mística, potentíssima e eficaz nos seus efeitos unitivos.

 

Quem os observa, quem os vê acaba conhecendo um novo meio de comunicação, sem palavras.

 

Estes seres são raros, muito raros, pois conquistaram o último dos patamares da existência humana: ver, compreender e ensinar tudo, sem o uso das palavras.

 

Neles se encontra o que gostaríamos de achar em nós: a totalidade, a perfeição. Não falam com palavras, mas com atos concretos.

 

Para que a palavra dita e a palavra escrita tenha peso e gravidade, e que seja eficiente, ao comunicador convém primeiro ver, constatar, apalpar, cheirar, sentir o odor ou o perfume do objeto da sua fala e depois, afastar-se, ver de cima, refletir, meditar, avaliar e não ter medo de falar ou escrever sobre o que vê e viu.

 

Em seguida, mas juntamente, relacionar os fatos com os princípios da justiça, da coerência, da honestidade, da verdade e da fidelidade aos Direitos Humanos, o bem comum da humanidade.  

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 18/07/2016.

eneaspb@gmail.com

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