segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Palavras de profundo realismo e amor, dirigidas à Igreja 5

Como és contestável para mim, Igreja!

E, no entanto,
como te amo!


Como me fizeste sofrer!

E, no entanto,
quanto te devo!


Gostaria de te ver destruída.

E, no entanto,
tenho necessidade de tua presença.


Deste-me tantos escândalos!

E, no entanto,
me fizeste compreender
a santidade.


Nunca vi nada de mais obscurantista,

mais comprometido e mais falso no mundo.

Mas também nunca toquei em nada tão puro,

tão generoso e tão belo!



Quantas vezes tive vontade
de bater em tua cara

a porta de minha alma!

E quantas vezes orei

para um dia morrer em teus braços seguros!



Não, não posso me libertar de ti,

porque eu sou tu,

mesmo não sendo completamente tu!


Além disso, aonde iria eu?



Construiria outra?

Mas não poderia construí-la,

senão com os mesmos defeitos,

porque são os meus defeitos

que levo para dentro dela.


E, se a construísse,

seria a minha igreja

e não a Igreja do Cristo!


E já estou bastante velho

para compreender

que não sou melhor

que os outros.



*Carlo Carreto 1910-04/10/1988. Foi cidadão comum e escritor italiano. Nasceu em Alexandria, Itália e morreu em Spello, Itália.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Profetas, poetas, artistas, escultores e a arte final 04


                                 Existem pessoas

que se expõem de forma diferente,

destoante, afinada ou desafinada,

porém, procurando ajustes,

procurando harmonias e

encontram angústias,

e problemas mal resolvidos.



Profetas sofrem ao ver incoerências,

infidelidades, traições e superficialidades.



O poeta transforma sua vida

numa forma de agir

agitada, impaciente,

porém, serena.



Estes, saem de si

em direção

a algo

ou a alguém.



Não aceitam caminhos

mal feitos,

desconexos,

desligados da origem.



Lá na origem,

transparência,

inocência,

projetos

que deviam dar certo,

sempre.



A fonte é límpida,

transparente.



 A origem é divina,

eterna.



Os fins e os meios,

estão todos

desequilibrados,

desconexos,

em desarmonia.



Poetas e profetas,

inconformados,

não aceitam,

que no caminho,

haja deformação, desvios,

mudanças de rota.



Percebem incoerências,

falsidades,

perda da originalidade,

e sofrem.



O profeta e o poeta

necessitam criar ou usar linguagem

que seja como a sirene dos bombeiros

ou exorbitantes como a buzina de um navio.



O tipo de comunicação

usado atualmente,

não mais convence,

nem nas homilias,

nem nos discursos

de presidente.


Então, como alertar,

como chamar atenção

aos iceberg soltos

nas águas

do mar da vida?



Havemos de criar faróis,

no alto das montanhas

ou nas pequenas ilhas,

luz forte, para ver ao longe

o que os olhos não foram treinados

para ver de perto.



Esculpir uma pedra

e transformá-la numa estátua

é relativamente fácil.



Ser esculpido dói,

mas embeleza,

enobrece, diviniza.



Uma pedra bruta

transforma-se,

nas mãos do escultor,

numa estátua perfeita,

mas imóvel e insensível.



O artista, o profeta e o poeta,

de uma personalidade bruta,

transforma-se

em criadores de belezas

e perfeições humanas,

principalmente

no trato com os semelhantes.



Uma obra de arte

não se repete,

ou pode até repetir-se,

mas já é uma cópia.



E você está em exposição,

sendo admirado(a).



Cada um de nós

é uma estátua viva, quente,

produzida,

 por um grande

e famoso Escultor,

mundialmente famoso,

nosso Paizão do céu.



Numa primeira etapa,

nossa fachada interna

é o nosso Pai do céu

que dá as primeiras cinzeladas

com a intenção de revelar

um pouco de si mesmo,

como Criador.



Nosso Pai do céu

equipou-nos

com as ferramentas

que tornam possível

o contínuo aperfeiçoamento.



Cada um de nós tem uma missão:

viver a vida que temos,

esculpindo e aperfeiçoando

nossa própria personalidade,

dentro de um modelo já Revelado.



Tirando lascas,

arredondando as pontas

para que não fira

quem esteja próximo de nós.



Quando nos manifestamos,

estamos nos revelando.



A arte

se manifesta

quando agimos,

quando revelamos

que temos vida.



O artista, o profeta e o poeta,

com sua maneira de ser,

educam

aqueles que estão à sua volta.



Ensinam os outros

como se vive a vida.


Os profetas, poetas, artistas e escultores,

despertam ideais;

perseguem soluções para os problemas;

procuram suavizar as durezas da vida;

colorir os dias e horas escuras;

despertam as sensibilidades adormecidas;

impulsionam os desesperançados

na direção das fronteiras

onde se encontram com as esperanças.



Talvez seja hora

de deixar o artista revelar-se

com mais profundidade.



Convém que aceitemos

ou rejeitemos

a afirmação

que sufocamos

o profeta, o poeta, o artista

e o escultor

que existe em nós.



Esta atitude

de aceitação

despertará

o ideal a ser perseguido.



É nosso dever

construir as soluções

e não ficar apenas lamentando

as deficiências e desequilíbrios

que enxergamos e que nos afetam.



Se já não vibramos mais

com a vida,

procuremos as razões

pelas quais ela vibra.



Unamos a razão e o coração,

a alma e o espírito,

a boa vontade

e os ideais necessários

para que o coração

volte a bater depressa,

e empurrando-nos

para as nobres

ações artisticas.




Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

Atualizado em 02/09/2015