Estou desanimado
de tantas vezes me
dirigir a Ti
e não encontro
nenhuma resposta.
Acho que estou
só conversando com
conceitos,
por isso não estou
recebendo respostas.
Acho que o Deus
que é o objeto das minhas buscas
tem sido apenas um
conceito mental.
Tu não é divino.
Divino, divino não
existe.
Também é apenas um
conceito.
Tu não é o sagrado.
Também a palavra sagrado
é apenas mais um conceito
mental.
Tu, Deus verdadeiro,
Tu olhas para mim
com olhar impotente.
Quer responder,
mas eu não estou
usando
a mesma linha de
comunicação.
Por isso não escuto.
O que foi que me
ensinaram?
Aprendi errado?
Ou aquele diz que
sabe,
também não sabe,
porque aprendeu,
com conceitos
mentais.
Ensinamento através
de conceitos,
catecismos,
catequese, homilias,
conferencias, exortações,
documentos,
livros, Bíblia, teologia
não levam
à experiências concretas,
existenciais.
Ai de mim,
quase a desistir,
do Sumo Bem,
do bem Plenificante.
Aí de mim,
quase a desistir
de ler
palavras,
conceitos,
verdades
morrendo no papel.
Aí de mim,
aí de ti,
ouvindo
palavras, vozes,
exortações,
“precisamos de ... ”
“devemos isso, aquilo
...”
“temos que ...”
Aí de mim,
aí de ti,
convivendo
com tais professores,
pós graduados,
mestres
doutores da lei,
profissionais da
palavra.
Não me venham mais,
com palavras,
me salvar.
Não me venham mais
dizendo,
‘viemos te salvar’.
Com que?
O que tens aí,
que não me convence?
Deus, meu Deus,
minha vida,
meu ser.
Vou por mim,
antes que
aconteça
de não mais
querer ir
a lugar
nenhum.
Se tu és a Vida,
tenho a vida
dentro de Ti.
Tu não poder ser
apenas,
conceito, pensamento,
palavra oral ou
escrita.
Sabemos que existe,
por que eu existo,
existimos.
Tu é um Deus
escondido?
Escondido onde,
se ninguém te
encontra.
Escondido,
de forma invisível?
Deste-nos os olhos
para ver.
Se é da forma
invisível que escolheste ser,
por quê nos priva da
vossa presença,
dificultando a
procura, o encontro,
o aprendizado, a
convivência?
Vede Senhor, a
quantidade de religiões
que há no mundo,
oriental e ocidental!
Porque tantos
conceitos?
Porque tantos
símbolos,
ritos, liturgias,
tempos litúrgicos?
Quem és Tu, Senhor?
Encheram-te de nomes,
significados,
roupagens,
solenidades,
pomposidade.
Afastaram-te de mim.
Esconderam-te de mim.
Rechearam minha
mente,
de crenças, de
proibições
de conceitos despersonalizados.
Ensinaram manuais de
normas,
leis e mandamentos
para te conhecer,
obedecer, amar e
servir.
Teimoso,
desobediente,
vou por aqui ...
... Tu é o meu
Paizinho.
É uma Pessoa,
concreta.
Você disse ao Moisés:
“Eu Sou”.
Você é a Vida.
Eu quero ser.
Meu chamou à vida.
Criatura vossa,
aqui estou,
dentro de Ti.
Não é um Deus
insondável,
distante, lá longe,
viajando
e nos assistindo
lá dos céus.
É o meu Pai,
nosso Pai, aqui,
próximo, presente.
Te revelas
pacientemente,
ao longo da história,
desde a criação do
mundo,
potencializando os
homens, seus filhos,
engenheiros,
cientistas, decifradores
dos mistérios
escondidos, revelados
por Ti,
gradativamente,
de acordo com a
evolução
e conquistas
dos valores mais
elevados,
mais próximos
à vossa sábia
personalidade.
Ah! Agora está
ficando mais claro.
Está bem próximo.
Te revelas,
escondido,
nas pessoas de boa
vontade,
naqueles que se
angustiam
e procuram soluções
para os problemas
de cada um
e da humanidade.
Disseste que nos
criaria
à sua Imagem e
Semelhança.
Queridos
seminaristas, religiosos e religiosas,
sacerdotes, bispos e cardeais,
sacerdotes, bispos e cardeais,
simplifiquem o
caminho,
encontrem atalhos,
facilitem o acesso
ao meu Deus Pessoa,
Pai de cada um de
nós,
Pai Nosso e nosso
irmão.
Maior alegria de um pai
é ver seus filhos
reunidos,
em sua presença.
Vivamos unidos, em
fraternidade.
Procuremos juntos,
fazer a vontade
do nosso Pai.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/01/2017
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