sábado, 7 de janeiro de 2017

O Deus dos conceitos x Deus Pessoa. 12




Estou desanimado
de tantas vezes me dirigir a Ti
e não encontro nenhuma resposta.


Acho que estou
só conversando com conceitos,
por isso não estou recebendo respostas.


Acho que o Deus 

que é o objeto das minhas buscas
tem sido apenas um conceito mental.


Tu não é divino.
Divino, divino não existe.
Também é apenas um conceito.


Tu não é o sagrado.
Também a palavra sagrado
é apenas mais um conceito mental.


Tu, Deus verdadeiro,
Tu olhas para mim
com olhar impotente.


Quer responder,
mas eu não estou usando
a mesma linha de comunicação.
Por isso não escuto.


O que foi que me ensinaram?
Aprendi errado?


Ou aquele diz que sabe,
também não sabe,
porque aprendeu,
com conceitos mentais.


Ensinamento através de conceitos,
catecismos, catequese, homilias,
conferencias, exortações, documentos,
livros, Bíblia, teologia
não levam
à experiências concretas,
existenciais.


Ai de mim,
quase a desistir,
do Sumo Bem,
do bem Plenificante.


Aí de mim,
quase a desistir
de ler
palavras,
conceitos,
verdades
morrendo no papel.


Aí de mim,
aí de ti,
ouvindo
palavras, vozes,
exortações,
“precisamos de ... ”
“devemos isso, aquilo ...”
“temos que ...”


Aí de mim,
aí de ti,
convivendo
com tais professores,
pós graduados,
mestres
doutores da lei,
profissionais da palavra.


Não me venham mais,
com palavras,
me salvar.


Não me venham mais
dizendo,
‘viemos te salvar’.


Com que?
O que tens aí,
que não me convence?


Deus, meu Deus,
minha vida,
meu ser.


Vou por mim,
antes que
aconteça
de não mais
querer ir
a lugar
nenhum.


Se tu és a Vida,
tenho a vida
dentro de Ti.


Tu não poder ser apenas,
conceito, pensamento,
palavra oral ou escrita.


Sabemos que existe,
por que eu existo, existimos.


Tu é um Deus escondido?
Escondido onde,
se ninguém te encontra.


Escondido,
de forma invisível?


Deste-nos os olhos para ver.


Se é da forma invisível que escolheste ser,
por quê nos priva da vossa presença,
dificultando a procura, o encontro,
o aprendizado, a convivência?


Vede Senhor, a quantidade de religiões
que há no mundo, oriental e ocidental!


Porque tantos conceitos?


Porque tantos símbolos,
ritos, liturgias,
tempos litúrgicos?


Quem és Tu, Senhor?


Encheram-te de nomes,
significados,
roupagens,
solenidades,
pomposidade.


Afastaram-te de mim.
Esconderam-te de mim.


Rechearam minha mente,
de crenças, de proibições
de conceitos despersonalizados.


Ensinaram manuais de normas,
leis e mandamentos
para te conhecer,
obedecer, amar e servir.


Teimoso,
desobediente,
vou por aqui ...


... Tu é o meu Paizinho.
É uma Pessoa, concreta.


Você disse ao Moisés:
“Eu Sou”.


Você é a Vida.


Eu quero ser.


Meu chamou à vida.


Criatura vossa,
aqui estou,
dentro de Ti.  


Não é um Deus insondável,
distante, lá longe, viajando
e nos assistindo
lá dos céus.


É o meu Pai,
nosso Pai, aqui,
próximo, presente.


Te revelas pacientemente,
ao longo da história,
desde a criação do mundo,
potencializando os homens, seus filhos,
engenheiros, cientistas, decifradores
dos mistérios escondidos, revelados
por Ti, gradativamente,
de acordo com a evolução
e conquistas
dos valores mais elevados,
mais próximos
à vossa sábia personalidade.


Ah! Agora está ficando mais claro.


Está bem próximo.
Te revelas, escondido,
nas pessoas de boa vontade,
naqueles que se angustiam
e procuram soluções
para os problemas
de cada um
e da humanidade.


Disseste que nos criaria
à sua Imagem e Semelhança.


Queridos seminaristas, religiosos e religiosas, 
sacerdotes, bispos e cardeais,
simplifiquem o caminho,
encontrem atalhos,
facilitem o acesso
ao meu Deus Pessoa,
Pai de cada um de nós,
Pai Nosso e nosso irmão.  


 Maior alegria de um pai
é ver seus filhos reunidos,
em sua presença.


Vivamos unidos, em fraternidade.
Procuremos juntos, fazer a vontade
do nosso Pai.





Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/01/2017


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