sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Atividade fim x atividades gananciosas. 11


         Somos teimosos.
Muito teimosos.

         Queremos a paz,
mas não nos dirigimos pelos caminhos
que trazem a paz.

         Queremos a paz,
mas não concordamos
com as regras que ela impõe.

Por que tamanha teimosia?
Por que a pouca disposição disponível?

De templo sagrado, profanou-se,
esvaziou-se dos eternos tesouros.

Vazio, oco ficou, sem dignidade,
catando migalhas, no chão,
desprezando o céu.

Encheu-se de tédio,
depressão,
sem sal.

Mil caminhos, dispersão,
energias esparramadas,
sem concentração, sem bússola,
perdido nas areias do deserto escolhido.

Insensato, trocou o eterno pelo provisório.

De rico, carregado de dons,
escolheu explorar a pobreza
e a miserável retrocedeu.

Lá do fundo
não há mais riquezas a tirar.

Da exterioridade enfeitada,
o brilho do olhar desapareceu.

O sacerdote, do templo encarregado
terceirizou-se em atividades desviadas dos fins,
assumindo, funções dos administradores
tirando deles os diplomas que lhe eram próprios.

Onde está o sacerdote, o pastor da ovelhas?
Em lugares diferentes, ausentes da vocação.

No me venha buscar o dízimo
se estais distante
e incoerente da sua profissão.

Não posso te dar sustento
se saiu do teu lugar,
se meu pai deixou de ser.

Não preciso que me leves para terras santas.
Aqui, no teu bairro,
deves ensinar-me a ser filho, a ser irmão.

Onde é a habitação do meu, do teu e nosso Pai?

A Jerusalém terrestre foi destruída,
e será de novo,
toda vez que sair do caminho.

Escute, de novo,
lá dentro do teu templo, 
junto com o Profeta Jeremias,
as orientações que ele fez,
aos sacerdotes do hoje,
de sempre, que se repete.

O ego tão forte,
a ganância tão quente,
e o atrofiamento da consciência
misturam-se
com a farinha boa
do mesmo saco.

Quem é que precisa de conversão, hoje?

Quem? Eu?

Não se assuste,
eles mesmos não se reconhecem mais.

E nem nós os reconhecemos.

Nós, ovelhinhas, de adoradores,
fomos reduzidos para idólatras.
Perdemos o rumo.
Perdemos a paz.

Esconderam nosso Deus
e perderam-se as ovelhas.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 18/11/2016

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Heipo Profeta. 10






Estou aqui a falar-vos
como Profeta.



Um profeta

é alguém chamado a falar

para todos e também para si mesmo.



O profeta

é também o destinatário

do que comunica.



O profeta

tem a função de alertar,

avisar, fazer ver a situação

em que um povo

ou uma nação inteira

está envolvida.



O profeta

está alerta,

percebendo

como quem está fora

da bolha de ar

em que a nação está absorvida.



A nação está anestesiada,

acomodada,

atrofiada ou indiferente.



Falamos como Profeta.



Profeta que alerta,

que desacomoda,

que mostra

o que precisa ser mostrado.



Revela o que está oculto

aos olhos confusos;

olhos ofuscados pela névoa envolvente,

nevoa da rotina,

névoa da profissão conquistada,

névoa da ganância,

névoa do egoísmo,

névoa do imediatismo.



Estamos todos olhando

e avaliando

como quem está dentro do mundo.



Olhando horizontalmente,

sem nenhuma profundidade

e abertura para o vertical,

acima das aparências.



O que aparenta

nem sempre

é a verdade esperada

e procurada.



O Profeta

quer propor que o olhar seja lá de cima,

como quem está vendo o planeta terra,

lá das estrelas.



Estamos acostumados a ver

só com os olhos.



Os olhos são componentes

de visão orgânica, material,

e por isso só enxerga

o que é visível e material.



Olhamos só o que aparece.



Olhamos só as aparências,

a parte externa. 



Os olhos só enxergam o material,

os limites, as fronteiras...

e isso acaba criando em nós

uma consciência

ou uma mentalidade mundana,

isto é, do mundo,

ou seja, só do mundo material.



Mas existem dois mundos:

o mundo visível e o mundo invisível.



Olha aí o vento, invisível,

brincando com os teus cabelos.



Nós sabemos que existem

dois mundos.



Mas cultivamos preferencialmente

o mundo que vemos.



Tudo o que é visível

já é objeto das ciências exatas.

Aqui temos certezas e convicções.



Mas existem outras ciências.



Existe todo um mundo invisível,

 imaterial e espiritual

que também podem ser objeto

de estudos e de ciências.



Há um mundo infinito

a ser explorado por nós.



Eis  onde  justificamos

o convite à conversão:
“Convertei-vos”.



É um imperativo.



É uma ordem.



Caso esta ordem não seja obedecida,

haverá a extinção da espécie

que usa os olhos só para o visível.



Convertei-vos para uma nova ciência.



Buscai as ferramentas apropriadas

e desenvolvei-as.



‘O essencial é invisível aos olhos’,

disse o escritor e profeta

e Antoine de Saint Exupèry.



O Profeta, como o poeta,

procura penetrar

além das aparências.



Há um mundo invisível e infinito

a explorarmos.



O mundo do invisível

é também o mundo infinito,

sem fronteiras e eterno.



Este é o mundo

que o filho do Deus Eterno nos prometeu.



Nós não somos deste mundo que morre,

que caduca, que está cheio de limites.



Somos herdeiros do mundo invisível.



Mas não estamos preparados

para este mundo.



Os nossos olhos

só se apegam ao visível.



Mas há uma ciência nova

na qual podemos nos tornar especialistas,
usando as ferramentas apropriadas,

diferentes daquelas

que usamos no nosso mundo econômico,
financeiro e materializado.



Nesta nova ciência,

o principal princípio

é fechar os olhos.



A ferramenta mais usada é o silêncio.



Tem-se que parar

para escutar o inaudível.



É imenso

o conteúdo todo que cabe

dentro do imperativo “convertei-vos”.



Existem mudanças a serem efetivadas.

E quanta mudança!



Há um mundo novo,

um mundo todo cheio

de valores invisíveis,

desprezados por nós.



Sensibiliza o poeta e o profeta,

a indiferença

diante das realidades invisíveis.



Há um “dentro” das coisas

que quer comunicar-se.



Existem símbolos gritando,

exigindo que decifrem

seus códigos internos.



Existem belezas mensageiras

do Criador das Belezas.



Tudo o que é grande e maravilhoso

no Universo, são dicas,

do Cientista Criador-Invisível.



Estamos todos envolvidos

por uma literatura

que foi aos poucos sendo esvaziada, despersonalizada e  desenraizada.



Resultado do pouco esforço,

foi cultivada só na superfície.



Tudo o que fica só nas palavras,

nos livros, como letra morta,

nos mantém numa rotina,

acostumando-nos apenas a ouvir,

repetir e a ler as palavras.



A literatura toda é importante.



Há porém, uma vacina

a aplicar em nós mesmos:

estarmos alertas

para percebermos

até que ponto estamos anestesiados,
acomodados,

atrofiados ou indiferentes:

estamos nos acostumando

a viver no mundo das palavras,

no mundo virtual.



O profeta alerta avisando:

não estamos mais nem mesmo reagindo.



A verdade

que o profeta quer revelar

é que estamos escravizados.

Escravos da literatura.



É urgente perceber

que a nossa consciência está anestesiada.



O egoísmo, o individualismo

exigem a atenção ao nosso corpo

que quer conforto e saturação.



Estas atitudes opõem-se ao sacrifício,

ao esforço,

à necessidade de mudanças

e conversões.



Vejam quanta resistência opomos

quando nos pedem

que deixemos as cadeiras macias

em favor
dos que tem necessidades especiais

ou são mais idosos...



Não avaliamos o sacrifício

dos mais idosos

na demora em levantar-se,

arrumar-se, locomover-se.



Estamos todos envolvidos

na cultura do conforto e do comodismo

que desemboca na rotina

e na acomodação,

levando-nos a escolher tudo

o que nos traz conforto.



As opções pelo conforto

nos leva a fugir

ou a recusar

novas responsabilidades.



Fugir ou recusar responsabilidades

nos mantém parados, estagnados,

atrofiados e acomodados.



Esta opção

provoca inconscientemente

a nossa falência

como seres destinados à evolução.



Converter a direção do veículo

em direção ao mundo do invisível,

eis aqui o alerta do Profeta.



O Profeta

se manifesta com a finalidade

de tirar o pano de cima,

tirar a poeira

que altera a cor da profundidade.



O profeta

cutuca as resistências

e penetra na casca dura,

petrificada.



Profeta

é alguém que anuncia

outro personagem

mais importante que ele próprio.



Se o profeta é gente importante,

maior é aquele

de quem o profeta fala.



Cada ser humano

guarda dentro de si

um personagem divino.

O personagem humano

que cada um é,

manifesta-se naturalmente.



O personagem divino

que existe dentro de cada um de nós,

ainda está sufocado,

querendo libertar-se e exprimir-se

para além de qualquer fronteira.



Mas este personagem não sabe como.



Não se sente livre.



Ainda está na dimensão

da ignorância dos seus talentos.



Ignora os seus talentos

de filho e herdeiro do dono dos céus. 



Não está habituado

a conviver com os valores invisíveis,
principalmente
com o valor da Fé.





Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/10/2016




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