segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Palavras de profundo realismo e amor, dirigidas à Igreja 5

Como és contestável para mim, Igreja!

E, no entanto,
como te amo!


Como me fizeste sofrer!

E, no entanto,
quanto te devo!


Gostaria de te ver destruída.

E, no entanto,
tenho necessidade de tua presença.


Deste-me tantos escândalos!

E, no entanto,
me fizeste compreender
a santidade.


Nunca vi nada de mais obscurantista,

mais comprometido e mais falso no mundo.

Mas também nunca toquei em nada tão puro,

tão generoso e tão belo!



Quantas vezes tive vontade
de bater em tua cara

a porta de minha alma!

E quantas vezes orei

para um dia morrer em teus braços seguros!



Não, não posso me libertar de ti,

porque eu sou tu,

mesmo não sendo completamente tu!


Além disso, aonde iria eu?



Construiria outra?

Mas não poderia construí-la,

senão com os mesmos defeitos,

porque são os meus defeitos

que levo para dentro dela.


E, se a construísse,

seria a minha igreja

e não a Igreja do Cristo!


E já estou bastante velho

para compreender

que não sou melhor

que os outros.



*Carlo Carreto 1910-04/10/1988. Foi cidadão comum e escritor italiano. Nasceu em Alexandria, Itália e morreu em Spello, Itália.


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