quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

O escultor e as obras de arte. 7

Existem pessoas
que se expõem de forma diferente,
destoante, afinada ou ainda desafinada,
porém, procurando ajustes,
procurando harmonias,
mas quase sempre
encontra angústias,
e problemas mal resolvidos.

O sacerdote, poeta e profeta,
transforma sua vida
numa forma de agir
agitada, impaciente, porém, serena.

Não aceita caminhos
desconexos,
desligados da origem.

Lá na origem,
transparência,
inocência,
projetos que deviam dar certo,
sempre.

A fonte é límpida, transparente.

Sacerdotes, poetas e profetas,
inconformados,
não aceitam,
que no caminho,
haja deformação.

Percebem incoerências,
falsidades,
perda da originalidade,
e sofrem.

O sacerdote, poeta e profeta
necessita criar ou usar linguagem
que seja como a cirene dos bombeiros
ou robusta como a buzina de um navio.

O tipo de comunicação usado atualmente,
não mais convence,
nem nas homilias,
nem nos discursos de presidente.

Então, como alertar,
como chamar atenção
aos iceberg soltos
nas águas do mar da vida?

Havemos de criar faróis,
no alto das montanhas
ou nas pequenas ilhas,
luz forte, para ver ao longe
o que os olhos não foram treinados
para ver de perto.

Esculpir uma pedra
e transformá-la numa estátua
é relativamente fácil. 

Ser esculpido dói,
mas embeleza, enobrece,
diviniza. 

Uma pedra bruta
transforma-se,
nas mãos do escultor,
numa estátua perfeita,
mas imóvel e insensível. 

O sacerdote hoje tem que ser bastante poeta,
para ser profeta escutado.

O sacerdote,
de uma personalidade bruta,
transforma-se num poeta,
num criador de belezas
e perfeições humanas,
despertando o potencial
da inteligência espiritual
nas suas ovelhinhas.

Uma obra de arte
não se repete,
ou pode até repetir-se,
mas já é uma cópia.

E você está em exposição,
sendo admirado.

Cada um de nós
é uma estátua produzida,
inicialmente por um grande
e famoso escultor,
mundialmente famoso,
nosso Paizão do céu.  

Numa primeira etapa,
nossa fachada interna
é o nosso Pai do céu
quem dá as primeiras cinzeladas
com a intenção de revelar
um pouco de si mesmo,
como Criador. 

Nosso Pai do céu
equipou-nos com as ferramentas
que tornam possível
o contínuo aperfeiçoamento. 

Cada um de nós tem uma missão:
viver a vida que temos,
esculpindo e aperfeiçoando
nossa própria personalidade. 

Tirando lascas,
arredondando as pontas
para que não fira
quem esteja próximo de nós. 

Quando nos manifestamos,
estamos nos revelando. 

A arte
se manifesta quando agimos,
quando revelamos
que temos vida. 

O sacerdote, poeta, profeta
com sua maneira de ser,
educa aqueles que estão à sua volta.

Ensinam os outros como se vive a vida.

O sacerdote, poeta e profeta
 desperta ideais;
persegue soluções para os problemas;
procura suavizar as durezas da vida;
colorir os dias e horas escuras;
desperta as sensibilidades adormecidas;
impulsiona os desesperançados
na direção das fronteiras
onde se encontram
com as esperanças.

Talvez seja hora
de deixar o artista revelar-se
com mais profundidade.  

Convém que aceitemos
ou rejeitemos
a afirmação
que sufocamos
o artista
que existe em nós. 

Esta atitude
de aceitação
despertará
o ideal
a ser perseguido. 

É nosso dever
construir as soluções
e não ficar apenas lamentando
as deficiências e desequilíbrios
que nos afetam. 

Se já não vibramos mais
com a vida,
procuremos as razões
pelas quais ela vibra. 

Unamos a razão e o coração,
a alma e o espírito,
a boa vontade
e os ideais necessários
para que o coração
volte a bater depressa,
e empurrando-nos
para nobres ações. 

O sacerdote, artista, poeta e profeta,
é filho de outro grande artista,
maior ainda. 

Olhando para tua maneira de ser,
te digo:
Tal pai, tal filho.

Eneas Paulo Budel Bogucheski


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